Para começar, é preciso deixar algo bem claro: ver nossos alunos aprendendo (de fato) espanhol na escola está longe de se tornar realidade.

A lei, sancionada pelo presidente Lula em 2005, teve prazo de transição de 5 anos, entrando em vigor no início desse ano. De lá para cá, nenhuma ação efetiva, em âmbito nacional, foi tomada para a capacitação de professores, resultando no ‘jeitinho brasileiro’ (Erro 2, abaixo) para correr contra o prejuízo.

Antes disso, vale lembrar que a idéia não é nova.

“O primeiro Projeto de Lei (PL) apresentado ao Congresso Nacional que pretendia incluir o espanhol como língua estrangeira a ser ensinada nas escolas brasileiras foi apresentado pelo Presidente Juscelino Kubitschek em 1958.
Depois deste, outros 16 projetos também tramitaram no Congresso com esse mesmo objetivo; entre eles está o PL apresentado pelo Deputado Átila Lira em dezembro de 2000, que foi sancionado em 05/08/2005 pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e se transformou na Lei 11.161/2005.” (Professora Fernanda Castelano – UFSCar)

O Brasil é o único país da América Latina que tem o Português como língua oficial. Falantes de espanhol nos cercam por todos os lados. Mesmo assim, há de se assumir: até então demos as costas para esse fato. Levando-se em consideração a lei em questão, uma sucessão de erros mostra que a simples implementação do ensino de espanhol não tornará nossos alunos falantes da lingua. Vamos a eles:

  • Erro 1: O MEC percebeu um pouco tarde (2005) que estamos cercados por países de língua espanhola

Justiça seja feita, nosso sistema público de ensino já contou com o espanhol em sua grade. Durante boa parte do século passado, especialmente até a década de 60, o ensino da língua figurava na grade curricular de parte das escolas, embora dividisse espaço com latim, grego, entre outras. É evidente que, em razão disso, o contato dos estudantes com a língua era escasso.

O plano agora é a implementação, de fato, do ensino de espanhol nas escolas públicas. Decisão tardia, resultante da falta de uma política linguística no país. Política linguística? Sim, isso mesmo. Ela existe e, antes que pensem que é coisa de primeiro mundo, saibam que já faz parte há décadas dos planos nacionais de educação até de países pobres do Leste Europeu, como a Polônia.

  • Erro 2: Fernando Haddad resolve agora, às pressas, fazer acordo com o Instituto Cervantes para a formação (?) de professores de espanhol no atacado

O Brasil conta com 6 mil professores da disciplina no ensino médio, pouco mais de 20% dos 25 mil necessários à implementação da lei. Em razão disso, o MEC resolveu formar professores no ‘atacado’, através de um curso oferecido pela internet, com duração de 6 meses, que habilitaria professores das mais diversas áreas a lecionar espanhol. Mais uma vez, a falta de planejamento enterra as boas idéias e nos deixa pisar num terreno inconsistente, que pode dar a falsa sensação de progresso no ensino de idiomas.

Vale também ressaltar o questionável acordo com o Instituto Cervantes, visto que o país conta com 382 cursos autorizados ou reconhecidos de graduação em Letras-Espanhol. Além disso, a legislação vigente prevê que a habilitação para o ensino regular só pode provir de instituições de ensino superior, o que não é o caso do Instituto Cervantes.

  • Erro 3: Por parte das escolas o ensino de espanhol é obrigatório. Por parte dos alunos, optativo

Condicionado às grades curriculares, o ensino de espanhol ficará relegado à uma ou duas aulas semanais, assim como já acontece com o inglês. Se o ensino desse já virou piada, sintetizada no verbo to be (como alusão à única coisa que os alunos aprendem depois de anos tendo ‘aula’ da língua), o que podemos esperar do espanhol? As escolas, em razão da lei, são agora obrigadas a oferecer aulas de espanhol. Aos alunos, fica como matéria optativa. Há mesmo, por parte do MEC, algo sério em relação ao ensino da língua? Não parece. É evidente que essa ‘flexibilidade’ contribuirá não somente para a pouca adesão ao curso, como o pouco compremetimento do aluno, já que no Brasil ninguém é reprovado  pelas aulas de idioma (nem mesmo por outras matérias, vide Progressão Continuada, do Governo do Estado de São Paulo).

Nosso Sistema Educacional mostra mais uma vez o quanto é frágil e atrasado, brincando com a Educação como manobra de Governo, e não Política de Estado. As Escolas de Idiomas agradecem.

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6 comentários em “O espanhol, o Brasil e a ignorância

  1. De verdad, el principal de esses problemas aquí en Brasil, no es la educación del español que es muy poca, los alumnos también no cooperan en las escuelas. Soy estudiante BRASILEÑO. Hablo español bien, pero también, un poco de TV ayuda mucho.

    ¡LA IGNORANCIA NO ESTÁ EN LA ESCUELA, PERO EN LA MAYORÍA DE LOS ALUMNOS BRASILEÑOS!

    Valeu aí….

  2. De verdad, el principal de esses problemas aquí en Brasil, no es la educación del español que es muy poca, los alumnos también no cooperan en las escuelas. Soy estudiante BRASILEÑO. Hablo español bien, pero también, un poco de TV ayuda mucho. E lembro também que ainda não fiz nenhum curso pra aperfeiçoar··· ‘o’

    ¡LA IGNORANCIA NO ESTÁ EN LA ESCUELA, PERO EN LA MAYORÍA DE LOS ALUMNOS BRASILEÑOS!

    Valeu aí….

  3. De verdad, el principal de eses problemas aquí en Brasil, no es la educación del español que es muy poca, los alumnos también no cooperan en las escuelas. Soy estudiante BRASILEÑO. Hablo español bien, pero también, un poco de TV ayuda mucho. E lembro também que ainda não fiz nenhum curso pra aperfeiçoar··· ‘o’

    ¡LA IGNORANCIA NO ESTÁ EN LA ESCUELA, PERO EN LA MAYORÍA DE LOS ALUMNOS BRASILEÑOS!

    Valeu aí….

  4. O ser humano é igual no mundo inteiro. Não pense que o alemão é mais trabalhador que o brasileiro, ou que o aluno japonês é mais estudioso que o brasileiro. Tudo se resume a contextos culturais, como a sociedade vê a pessoa e como a desenvolve. A ignorância está em simplificar tudo, dizendo que nordestino é preguiçoso, gaúcho é viado, carioca é malandro, aluno brasileiro é ignorante…

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