Provavelmente você já ouviu um estrangeiro (geralmente alemão) falar isso. É possível também que tenha pensado: “mesa é palavra feminina, termina em ‘a’, óbvio que o artigo é ‘a’ e não ‘o’…”, mas calma. Essa aparente obviedade na atribuição de artigos é muito relativa e envolve uma série de fatores.

Pra começar, o linguista suíço Ferdinand de Saussare levantou a questão em um trabalho publicado apenas 3 anos após sua morte, em 1913. A assim chamada “arbitrariedade do signo” trata justamente da relação entre as palavras e o que elas representam. Em termos linguísticos, significante e significado, sendo o primeiro a palavra, o segundo o que ela representa. Isso explica o fato de cada língua usar significantes (sons) diferentes para um mesmo significado (conceito), da mesma forma que possuem gêneros distintos para os mesmos objetos.

Uma pequena comparação entre palavras do alemão e do português ajuda a entender melhor essas ideias:

Alemão Português
der Tisch (masc.) a mesa (fem.)
der Stuhl (masc.) a cadeira (fem.)
die Sonne (fem.) o sol (masc.)
der Mond (masc.) a lua (fem.)

Afirmar que uma ou outra língua tem a atribuição correta de gênero é incoerente, pois uma cadeira nada tem de masculino ou feminino que induza a classificá-la como tal. Por outro lado, há ainda uma grande divergência entre definições de vocábulos (substantivos, verbos), justamente por cada língua ter suas próprias definições e conceitos. Ainda comparando o alemão e o português, pode-se perceber claramente essas diferenças:

Alemão Português
gehen; fahren ir
besuchen visitar; frequentar
Glas copo; vidro
Bar bar; balcão

Pelos exemplos é possível ver que uma mesma palavra pode ter mais de um referente em outra língua, isso porque o vocabulário é construído em acordo com o ponto de vista e necessidade dos falantes. Assim, em português pouco importa se você vai a pé ou de carro, por exemplo. Em ambos os casos se usa o mesmo verbo: ir. Já em alemão, faz-se a diferenciação entre as duas situações.

Seja para atribuir um artigo ou definir um substantivo, é essencial compreender que outros idiomas, povos e culturas podem possuir diferentes visões e conceitos daqueles que conhecemos. Entender e, acima de tudo, aceitar isso como regra e não exceção, talvez seja a chave para um caminho mais fácil no aprendizado de um novo idioma.

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