China by Dainis Matisons on FlickrFalar uma língua não consiste em apenas saber vocabulário, regras gramaticais e afins. Línguas refletem visões de mundo, e como seus povos se expressam e se relacionam com o mundo em que vivem é um sinal claro de que a língua molda nossa forma de pensar. Abaixo você verá alguns exemplos da relação existente entre línguas e comportamento, assunto que está se tornando alvo de um número cada vez maior de pesquisas: 

Navegação e Pormpuraawans 

Em Pormpuraaw, uma comunidade aborígene da Austrália, não há referência de um objeto como à esquerda ou à direita, mas sim como a nordeste ou a sudoeste, por exemplo. É o que revela a professora de psicologia Lera Boroditsky, da Stanford University, em estudo publicado no The Wall Street Journal. Mais de um terço das línguas conhecidas abordam o espaço em termos absolutos, como a língua aborígene, e não em termos relativos, como o inglês, português e a maioria das línguas ocidentais mais faladas. Como resultado, os falantes de tais línguas acabam desenvolvendo grande habilidade em se orientar e manter uma trajetória, mesmo estando em um lugar que não conheçam.

Durante a viagem para sua pesquisa na Austrália, a professora descobriu também que a comunidade de Pormpuraaw, que fala Kuuk Thaayorre, não apenas sabia instintivamente em qual direção estavam, mas também organizavam suas pinturas em uma progressão temporal de leste a oeste.

A culpa e os falantes de inglês 

No mesmo artigo, Boroditsky nota que falantes de inglês tendem a dizer que alguém quebrou um vaso, mesmo que tenha sido um acidente. Enquanto isso, falantes de espanhol e japonês tendem a dizer simplesmente que o vaso quebrou. Assim o inglês estaria dependente de um culpado para a ação, mesmo que ela não tenha um.

Em outro estudo, falantes de inglês eram muito mais propensos a lembrar quem estourou balões, quebrou os ovos ou derramou os drinks (com cenas mostradas a voluntários em vídeo) do que falantes de espanhol ou japonês. Segundo Boroditsky, há uma correlação no inglês entre o foco no agente e o sentimento de justiça com vista a punir transgressores, em lugar de restituir as vítimas.

As cores que cada um vê

Nossa habilidade em distinguir cores segue a forma como as descrevemos. Um estudo de 1954 mostra que falantes de Zuñi (uma língua indígena norte-americana), não distinguem laranja de amarelo, tendo dificuldade em falar delas separadamente. Já os índios Barasana, que vivem na Amazônia, não diferem as cores azul e verde, pois para eles a cor do céu é igualada à cor da floresta, dos quais dependem.

Gênero em finlandês e hebraico

Em hebraico os marcadores de gênero estão por todo lugar, enquanto o finlandês não marca gênero em muitos casos. Um estudo de 1980 mostrou que o pensamento desses povos também é influenciado pela construção de suas línguas: crianças que falavam hebraico conheciam seu próprio gênero um ano antes que crianças falantes de finlandês.

Excesso de informação

O economista e pesquisador Keith Chen, chinês que vive nos Estados Unidos, observou quanta informação sua língua nativa carrega. Por exemplo, para dizer “Este é meu tio”, em chinês, você tem de especificar de qual tio está falando. O logograma (caracter chinês) que represente a palavra ‘tio’ também deve indicar se é por parte de pai ou de mãe, se é seu tio por casamento ou de nascimento, e caso seja irmão do seu pai, se é mais velho ou mais novo que ele.

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