Após Brexit, inglês pode deixar de ser língua oficial na União Européia

Após o Brexit (saída da Grã-Bretanha da União Européia), o inglês corre o risco de deixar de ser uma língua oficial do bloco econômico europeu. É o que alertou Danuta Hübner, líder no Parlamento Europeu para assuntos institucionais. Segundo ela, isso pode ocorrer após o processo de saída da Grã-Bretanha da União Européia ser completado, o que levará 2 anos para se consolidar.

A Grã-Bretanha é até então o único membro da União Européia que tem o inglês declarado como sua língua oficial, o que o coloca como uma das 24 línguas oficiais do bloco. Sem Grã-Bretanha, sem inglês.

“Nós temos uma regulação, onde cada membro tem o direito de notificar uma língua oficial. A Irlanda notificou o Gales como sua língua, Malta o maltes, apenas a Grã-Bretanha notificou o inglês” diz Hübner.

Obviamente o inglês é a língua franca do bloco e também usado largamente pelas instituições européias, mas para que continue com seu status oficial, a regulação do bloco terá de ser mudada. Na prática isso implica que documentos oficiais, comunicados e afins continuem a ser publicados também em inglês, além dos demais idiomas oficiais dos países membros.

Governo abre inscrições para o ‘Inglês sem Fronteiras’

University of Oxford - Portal %0A© by Paul Wiethölter on FlickrO programa ‘Inglês sem Fronteiras’ surgiu da necessidade de melhorar a proficiência em língua inglesa dos estudantes universitários para que tenham acesso a universidades de países anglófonos por meio do Programa Ciência sem Fronteiras. São cursos a distância ou presenciais, havendo também a aplicação de testes de proficiência.

Ao todo são nove mil vagas para alunos de 42 instituições federais de ensino e que estejam cursando além da graduação, um mestrado ou um doutorado. Os candidatos podem se inscrever pela internet até o dia 8 de agosto.

Mais informações no site do programa: Inglês sem Fronteiras

 

Quais as línguas da Copa?

[WC2014] Holland x Spain : 1 by Crystian Cruz on FlickrA Copa do Mundo 2014 está aí e com ela uma verdadeira babel, que traz 32 seleções e 13 línguas, sendo 8 delas faladas em comum entre times participantes. De longe a comunidade hispânica é a que mais tem representantes: dos 20 países no mundo que tem o espanhol como língua oficial, 9 conquistaram um lugar para a Copa.

Espanhol (9): Espanha, México, Honduras, Costa Rica, Colômbia, Equador, Chile, Uruguai, Argentina

Exceto a Espanha, todos os falantes de espanhol presentes na Copa são latinos. O México é o mais populoso deles, embora a segunda nação com mais falantes de espanhol seja, curiosamente, os Estados Unidos.

Francês (6): Franca, Argélia, Costa do Marfim, Camarões, Suíça, Bélgica

A presença colonial da Franca na África tempos atrás deixou marcas lingüísticas até hoje. Embora o francês não seja língua oficial na Argélia, mas sim o árabe, é a língua de negócios e do governo, o que faz com que o país seja o segundo maior no número de falantes de francês, atrás da própria Franca.

Inglês (6): Inglaterra, Estados Unidos, Austrália, Nigéria, Gana, Camarões

O Império Britânico teve muitas conquistas durante o século 19, e deixou sua marca com o inglês espalhado por diferentes continentes. A língua é também uma das quatro oficiais da FIFA, junto ao francês, alemão e espanhol.

Português (2): Portugal, Brasil

Embora o Brasil seja de longe o país lusófono (falante de português) mais em evidência nos dias de hoje, a língua coloca Portugal mais próximo dos brasileiros, que para muitos é a segunda seleção a torcer no mundial.

Alemão (2): Alemanha, Suíça

A Suíça tem atualmente quatro línguas oficiais, apesar do alemão (na versão suíça) ser falado mais que as outras (francês, italiano, romanche). O alemão também é língua oficial em pequenas regiões da Bélgica e Itália.

Italiano (2): Itália, Suíça

Os únicos outros países (ou territórios) onde o italiano é falado pela maioria da população também fica em território italiano: Vaticano e San Marino.

Holandês (2): Holanda, Bélgica

Linguisticamente pode se dividir a Bélgica em duas partes, uma no norte que fala holandês, enquanto outra no sul tem predomínio do francês. A capital Bruxelas, situada bem no meio do país, é bilíngüe.

Croata (2): Croácia, Bósnia e Herzegovina

Antigas repúblicas iugoslavas. O croata é uma das 3 línguas oficiais reconhecidas na Bósnia, junto ao bósnio e sérvio.

Rússia, Coréia do Sul, Japão, Grécia e Irã são os únicos representantes de suas respectivas línguas na Copa do Mundo.

*Nota: os países que aparecem mais de uma vez tem 2 ou mais línguas reconhecidas oficialmente.

 

5 exemplos de como a língua que falamos afeta nossa forma de pensar

China by Dainis Matisons on FlickrFalar uma língua não consiste em apenas saber vocabulário, regras gramaticais e afins. Línguas refletem visões de mundo, e como seus povos se expressam e se relacionam com o mundo em que vivem é um sinal claro de que a língua molda nossa forma de pensar. Abaixo você verá alguns exemplos da relação existente entre línguas e comportamento, assunto que está se tornando alvo de um número cada vez maior de pesquisas: 

Navegação e Pormpuraawans 

Em Pormpuraaw, uma comunidade aborígene da Austrália, não há referência de um objeto como à esquerda ou à direita, mas sim como a nordeste ou a sudoeste, por exemplo. É o que revela a professora de psicologia Lera Boroditsky, da Stanford University, em estudo publicado no The Wall Street Journal. Mais de um terço das línguas conhecidas abordam o espaço em termos absolutos, como a língua aborígene, e não em termos relativos, como o inglês, português e a maioria das línguas ocidentais mais faladas. Como resultado, os falantes de tais línguas acabam desenvolvendo grande habilidade em se orientar e manter uma trajetória, mesmo estando em um lugar que não conheçam.

Durante a viagem para sua pesquisa na Austrália, a professora descobriu também que a comunidade de Pormpuraaw, que fala Kuuk Thaayorre, não apenas sabia instintivamente em qual direção estavam, mas também organizavam suas pinturas em uma progressão temporal de leste a oeste.

A culpa e os falantes de inglês 

No mesmo artigo, Boroditsky nota que falantes de inglês tendem a dizer que alguém quebrou um vaso, mesmo que tenha sido um acidente. Enquanto isso, falantes de espanhol e japonês tendem a dizer simplesmente que o vaso quebrou. Assim o inglês estaria dependente de um culpado para a ação, mesmo que ela não tenha um.

Em outro estudo, falantes de inglês eram muito mais propensos a lembrar quem estourou balões, quebrou os ovos ou derramou os drinks (com cenas mostradas a voluntários em vídeo) do que falantes de espanhol ou japonês. Segundo Boroditsky, há uma correlação no inglês entre o foco no agente e o sentimento de justiça com vista a punir transgressores, em lugar de restituir as vítimas.

As cores que cada um vê

Nossa habilidade em distinguir cores segue a forma como as descrevemos. Um estudo de 1954 mostra que falantes de Zuñi (uma língua indígena norte-americana), não distinguem laranja de amarelo, tendo dificuldade em falar delas separadamente. Já os índios Barasana, que vivem na Amazônia, não diferem as cores azul e verde, pois para eles a cor do céu é igualada à cor da floresta, dos quais dependem.

Gênero em finlandês e hebraico

Em hebraico os marcadores de gênero estão por todo lugar, enquanto o finlandês não marca gênero em muitos casos. Um estudo de 1980 mostrou que o pensamento desses povos também é influenciado pela construção de suas línguas: crianças que falavam hebraico conheciam seu próprio gênero um ano antes que crianças falantes de finlandês.

Excesso de informação

O economista e pesquisador Keith Chen, chinês que vive nos Estados Unidos, observou quanta informação sua língua nativa carrega. Por exemplo, para dizer “Este é meu tio”, em chinês, você tem de especificar de qual tio está falando. O logograma (caracter chinês) que represente a palavra ‘tio’ também deve indicar se é por parte de pai ou de mãe, se é seu tio por casamento ou de nascimento, e caso seja irmão do seu pai, se é mais velho ou mais novo que ele.