A língua mais econômica do mundo

Piraha - A Language without numbers? by Smithsonian ChannelA língua Pirahã, falada por cerca de 250 índios da tribo de mesmo nome no Amazonas, é forte candidata ao posto de língua mais econômica do mundo.

De acordo com investigações do lingüista estadunidense Daniel Everett, que estuda a língua Pirahã desde 1977, não há nela palavras que definam cores, apenas uma diferenciação aproximada entre claro e escuro. Além disso, a língua não tem flexões para passado e futuro, apenas presente, além de não possuir números. Especialistas sugerem que Pirahã talvez seja a única língua conhecida sem sistema numérico. E porque não há números? Por que não precisam. Apenas se referem a quantidades como ‘pouco’, ‘alguns’ ou ‘muitos’.

Mesmo não possuindo sistema de escrita nem alfabeto, foi identificado ainda o possível sistema de fonemas da língua. Claro que também bastante econômico: apenas 3 vogais (A, I e O)* e seis consoantes: G, H, S, T, P e B*.

*sons correspondentes

 

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Proteção de línguas minoritárias é direito humano, diz ONU

Rita Izsák, UN Independent Expert on minority issues. Photo OHCHRPelo menos metade das 7 mil línguas conhecidas atualmente desaparecerá até o final deste século, caso medidas urgentes não sejam tomadas para proteger comunidades minoritárias e suas línguas. É o que afirma a expert da ONU para assuntos minoritários, Rita Izsáḱ.

“Língua é particularmente importante para comunidades lingüísticas minoritárias para manter sua identidade social e cultural, que muitas vezes vivem marginalizadas, excluídas e discriminadas da sociedade em geral.” 

Rita acrescenta ainda que a língua pode ser fonte de tensões, já que defensores de direitos lingüísticos são algumas vezes associados com movimentos seccionistas ou vistos como ameaça à integridade de um Estado, que em geral promove de forma até agressiva uma língua nacional como símbolo de soberania e integridade. Ela nota, entretanto, que a proteção de minorias lingüísticas é também obrigação daqueles que defendem direitos humanos, e componente essencial de um bom governo, necessário para prevenir tensões e conflitos, levando à construção de igualdade em populações mais estáveis social e politicamente.

Em fevereiro deste ano, a UNESCO começou a estimular o uso de livros didáticos em línguas locais, com o fim de manter a educação na língua materna daqueles que fazem parte de minorias. Segundo a UNESCO, a tradução e promoção de materiais em línguas locais é um apoio à diversidade e serve como base para toda a vida social, econômica e cultural dessas comunidades.

Nesse sentido, Rita Izsáḱ coloca que é preciso ainda ir além, trazendo as línguas minoritárias para o uso na vida pública, mídia, administração pública, entre outros. Ela acrescenta que tanto fatores históricos quanto o colonialismo causaram um impacto gigantesco nas línguas, resultando em sua marginalização e o rápido declínio no uso de línguas indígenas e minoritárias, que começaram a ser vistas como um retrocesso, símbolos de uma nação de pouco desenvolvimento.

“Pode-se até dizer que a globalização, o crescimento da internet e a informação digitalizada estão causando um impacto direto em línguas minoritárias, pois comunicações globais e mercados globais requerem entendimento global.” 

Traduzido e adaptado de: UN News Centre – Protection of minority languages is a human rights obligation, UN expert says

8 línguas que podem desaparecer em breve

I kept Silent by auntjojo on FlickrAmeaçada é uma palavra que geralmente associamos com espécies animais, mas algumas línguas também estão chegando ao fim. Existem ao total mais de 7 mil línguas vivas, de acordo com o Ethnologue, um catálogo internacional que acompanha a evolução e distribuição das línguas em todo o mundo.

Mesmo com tamanha diversidade, algumas dessas línguas correm sério risco de serem extintas e esquecidas. É estimado que, caso a morte de línguas continue no ritmo atual, metade das línguas do mundo podem sumir do mapa até o final deste século. Enquanto algumas dessas línguas contam com milhares falantes para mante-las vivas, outras estão confinadas em vilas isoladas e possuem apenas alguns poucos nativos.

Catalogue of Endangered Languages é um projeto que visa aumentar a quantidade de informacoes a respeito das línguas ameacadas ao redor do mundo. Mais uma iniciativa que visa preservar a diversidade linguística de nosso planeta e assim toda a cutura e conhecimento atrelados a essas línguas. Abaixo listamos algumas dessas línguas e a situacao na qual se encontram atualmente:

Gaélico irlandês

Conta atualmente com cerca de 40 mil falantes nativos, com comunidades na Irlanda, onde o irlandês é falado com língua primária. O governo local tem feito um esforço contínuo para que a língua seja aprendida por estudantes irlandeses. Mesmo assim, o gaélico irlandês é classificado como vulnerável.

Krymchak

Também conhecida como tártaro judeu-crimeano, essa língua é falada na república autônoma da Crimea, na Ucrânia. Acredita-se que apenas os nascidos durante ou antes dos anos 1930 mantiveram fluência na língua, restando atualmente cerca de 200 falantes nativos, segundo dados de um censo realizado em 2007.

Okanagan-Colville

Essa é uma das centenas de línguas nativas da América do Norte que são consideradas em ameaça de extinção. Falada em comunidades na província de British Columbia, no Canadá, tem apenas 150 nativos restantes.

Ts’ixa

Falada em Botswana, seus nativos estão concentrados em apenas uma vila, a pequena Mababe, no norte do país. A estimativa é de que haja atualmente menos de 200 falantes nativos, em sua maioria adultos. As crianças locais se sentem mais confortáveis falando Setswana ou inglês, línguas nas quais são educadas.

Ainu

É a língua do povo Ainu, um grupo nativo do Japão. A língua Ainu está extremamente ameaçada, visto que restam apenas cerca de 10 falantes nativos, estando todos em idade avançada. Apesar dos esforços para registrar e catalogar a língua, o conhecimento transmitido por esses falantes não é suficiente para sustentar o uso do Ainu quando todos os nativos morrerem.

Rapa Nui

Algumas línguas estão ameaçadas por terem seus falantes isolados em ilhas. Rapa Nui é uma delas. É falada na Ilha de Páscoa, na Polinésia, por cerca de 3390 nativos, mas o espanhol está se transformando na língua dominante entre os moradores da ilha.

Yagan

Uma língua indígena do Chile da qual resta apenas um falante nativo certificado. Isso não significa que os outros não sejam familiares com a língua, mas não são fluentes ou falantes regulares dela.

Saami

Essa não é apenas uma língua, mas uma família lingüística que inclui ao menos dez diferentes variações. Essas línguas são comumente chamadas de urálias e são faladas ao norte da Noruega, Suécia, Finlândia e Rússia. Enquanto algumas dessas línguas possuem alguns milhares de falantes, a maioria delas é considerada criticamente ameaçada e contam apenas com algumas dezenas de falantes, ou nem isso. Em sua maioria são faladas apenas dentre as famílias e mantidas em canções populares e cerimonias.

Traduzido de: mental_floss – 8 Endangered Languages That Could Soon Disappear

Idiomas do mundo

Language diversity by TobiasMik on FlickrExistem mais de 7.000 línguas no mundo*, mas aproximadamente uma destas “morre” a cada duas semanas.

O destino dos próximos cem anos será marcado pela perda de parte da herança cultural de vários povos. Por que estas línguas estão desaparecendo? E qual será o impacto destas perdas para quem as fala e para o resto da população?

O documentário ‘Idiomas do mundo’ traz à tona esse tema, mostrando a riqueza e diversidade cultural que estão contidas nas línguas, bem como o que se perde quando uma língua morre. Uma viagem pelos cinco continentes, na qual pode-se perceber o real valor desse patrimônio para a humanidade, que sofre ataques constantes do processo civilizatório, perdendo seu espaço a cada dia.

A pergunta que fica é: o que sobrará? Estaremos fadados a vivermos em um mundo onde algumas línguas se sobrepõem às outras? Ou conseguiremos integrar, de forma harmoniosa, o desenvolvimento e a preservação das culturas e povos espalhados pelo planeta?

*O documentário cita 6.000, número que se refere à sua época de produção