A língua mais econômica do mundo

Piraha - A Language without numbers? by Smithsonian ChannelA língua Pirahã, falada por cerca de 250 índios da tribo de mesmo nome no Amazonas, é forte candidata ao posto de língua mais econômica do mundo.

De acordo com investigações do lingüista estadunidense Daniel Everett, que estuda a língua Pirahã desde 1977, não há nela palavras que definam cores, apenas uma diferenciação aproximada entre claro e escuro. Além disso, a língua não tem flexões para passado e futuro, apenas presente, além de não possuir números. Especialistas sugerem que Pirahã talvez seja a única língua conhecida sem sistema numérico. E porque não há números? Por que não precisam. Apenas se referem a quantidades como ‘pouco’, ‘alguns’ ou ‘muitos’.

Mesmo não possuindo sistema de escrita nem alfabeto, foi identificado ainda o possível sistema de fonemas da língua. Claro que também bastante econômico: apenas 3 vogais (A, I e O)* e seis consoantes: G, H, S, T, P e B*.

*sons correspondentes

 

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Ucrânia revoga lei para minorias lingüísticas, inclusive russos

Майдан зверху by sppoilt.exile on FlickrEm meio à violenta crise que assola a Ucrânia*, as minorias lingüísticas que vivem no país também estão sofrendo. Além dos conflitos e mortes, que tendem rumar para uma guerra civil, o direito de usarem suas línguas nativas oficialmente acaba de ser retirado.

O parlamento ucraniano aboliu a lei que regia os fundamentos da política lingüística de minorias do país. Foram 232 votos num total de 334. O mesmo parlamento havia aprovado essa lei em julho de 2012, após iniciativa do Partido das Regiões (Партіярегіонів). Em agosto do mesmo ano o então presidente Viktor Yanukovych assinou a lei, e ainda criou um grupo responsável pelo avanço da política lingüística no país.

A lei, que havia entrado em vigor em agosto de 2012, permitia o uso de 2 línguas oficiais em regiões onde uma minoria étnica representasse ao menos 10% da população. Assim, o russo foi declarado segunda língua oficial nas seguintes cidades: Odessa, Kharkiv, Kherson,Mykolaiv, Zaporizhzhya, Sevastopol, Dnipropetrovsk, Luhansk e Donetsk. Já em várias cidades do oeste ucraniano as minorias que tiveram suas línguas reconhecidas tem origem na Hungria, Moldávia e Romênia.

* Para entender a crise na Ucrânia: 6 notas para compreender o que acontece na Ucrânia

 

Proteção de línguas minoritárias é direito humano, diz ONU

Rita Izsák, UN Independent Expert on minority issues. Photo OHCHRPelo menos metade das 7 mil línguas conhecidas atualmente desaparecerá até o final deste século, caso medidas urgentes não sejam tomadas para proteger comunidades minoritárias e suas línguas. É o que afirma a expert da ONU para assuntos minoritários, Rita Izsáḱ.

“Língua é particularmente importante para comunidades lingüísticas minoritárias para manter sua identidade social e cultural, que muitas vezes vivem marginalizadas, excluídas e discriminadas da sociedade em geral.” 

Rita acrescenta ainda que a língua pode ser fonte de tensões, já que defensores de direitos lingüísticos são algumas vezes associados com movimentos seccionistas ou vistos como ameaça à integridade de um Estado, que em geral promove de forma até agressiva uma língua nacional como símbolo de soberania e integridade. Ela nota, entretanto, que a proteção de minorias lingüísticas é também obrigação daqueles que defendem direitos humanos, e componente essencial de um bom governo, necessário para prevenir tensões e conflitos, levando à construção de igualdade em populações mais estáveis social e politicamente.

Em fevereiro deste ano, a UNESCO começou a estimular o uso de livros didáticos em línguas locais, com o fim de manter a educação na língua materna daqueles que fazem parte de minorias. Segundo a UNESCO, a tradução e promoção de materiais em línguas locais é um apoio à diversidade e serve como base para toda a vida social, econômica e cultural dessas comunidades.

Nesse sentido, Rita Izsáḱ coloca que é preciso ainda ir além, trazendo as línguas minoritárias para o uso na vida pública, mídia, administração pública, entre outros. Ela acrescenta que tanto fatores históricos quanto o colonialismo causaram um impacto gigantesco nas línguas, resultando em sua marginalização e o rápido declínio no uso de línguas indígenas e minoritárias, que começaram a ser vistas como um retrocesso, símbolos de uma nação de pouco desenvolvimento.

“Pode-se até dizer que a globalização, o crescimento da internet e a informação digitalizada estão causando um impacto direto em línguas minoritárias, pois comunicações globais e mercados globais requerem entendimento global.” 

Traduzido e adaptado de: UN News Centre – Protection of minority languages is a human rights obligation, UN expert says

Minorias húngaras desprezadas pelo governo ucraniano

The students of Bakivtsi school perform in a concert for our tour group by Brian Woychuk on FlickrA partir do próximo semestre letivo (2013-14) estudantes na Ucrânia terão de aprender uma segunda língua estrangeira ao chegarem à 5ª série. Para estudantes que freqüentam escolas para grupos minoritários húngaros essa será na verdade uma terceira língua a ser aprendida, já que eles precisam estudar ucraniano (a língua oficial) como língua estrangeira desde a 1ª série. Em sua maioria, esses alunos têm como primeira língua o húngaro ou dialetos húngaros.

As escolas de minorias húngaras solicitaram ao governo ucraniano permissão para que, ao invés dessa terceira língua, pudessem ampliar o tempo dedicado ao aprendizado do ucraniano, já que o tempo de aula oferecido atualmente é considerado insuficiente para que de fato aprendam a língua. Em 2008, por exemplo, 8% dos estudantes de escolas ucranianas não obtiveram notas satisfatórias nos exames de ucraniano, número que chega a 38% quando analisadas as escolas de minorias húngaras na Ucrânia. Mesmo assim, o governo ucraniano rejeitou o pedido.

Traduzido e adaptado de: Kárpátalja – Elutasították a magyar iskolák kérelmét