Após Brexit, inglês pode deixar de ser língua oficial na União Européia

Após o Brexit (saída da Grã-Bretanha da União Européia), o inglês corre o risco de deixar de ser uma língua oficial do bloco econômico europeu. É o que alertou Danuta Hübner, líder no Parlamento Europeu para assuntos institucionais. Segundo ela, isso pode ocorrer após o processo de saída da Grã-Bretanha da União Européia ser completado, o que levará 2 anos para se consolidar.

A Grã-Bretanha é até então o único membro da União Européia que tem o inglês declarado como sua língua oficial, o que o coloca como uma das 24 línguas oficiais do bloco. Sem Grã-Bretanha, sem inglês.

“Nós temos uma regulação, onde cada membro tem o direito de notificar uma língua oficial. A Irlanda notificou o Gales como sua língua, Malta o maltes, apenas a Grã-Bretanha notificou o inglês” diz Hübner.

Obviamente o inglês é a língua franca do bloco e também usado largamente pelas instituições européias, mas para que continue com seu status oficial, a regulação do bloco terá de ser mudada. Na prática isso implica que documentos oficiais, comunicados e afins continuem a ser publicados também em inglês, além dos demais idiomas oficiais dos países membros.

Quantas línguas alguém pode falar?

Tallinn - EstoniaNo mundo existem milhões de pessoas que falam mais de uma língua em casa. Saber três ou mais línguas é mais comum do que você pode imaginar, como na Europa, onde muitos já crescem em famílias de duas ou três origens diversas, falando várias línguas desde pequenos. Na Índia é comum a muitas pessoas, no trabalho, falarem 5 ou 6 diferentes línguas. Mas o que pensar de quem fala 10,20,30 ou até mais de 70 línguas? Qual o limite para nós, seres humanos, no número de línguas que podemos aprender?

Em seu fascinante livro Babel no More, o lingüista Michael Erard viaja ao redor do mundo em busca daqueles que chama de ‘hiperpoliglotas’, pessoas que estudam e aprendem um grande número de línguas. Ele mostra também alguns dos segredos para o sucesso no aprendizado de línguas, e explica ainda porque é complicado para a maioria das pessoas se tornar um poliglota. Aqui você conhece alguns dos ‘hiperpoliglotas’ que Michael encontrou em suas viagens:

Graham Cansdale, 14 línguas

Cansdale usa 14 línguas profissionalmente, como tradutor junto à Comissão Européia em Bruxelas. Além disso estudou outras línguas que não usa em seu trabalho.

Lomb Kató, 16 línguas

Essa poliglota húngara diz que 5 dessas línguas ‘vivem dentro’ dela. Outras 5 precisam de pelo menos meio dia de revisão para serem reativadas, e as 6 restantes ela pode traduzir. Confiança, diz ela, foi crucial no aprendizado de línguas. Sua dica de estudos: “Confie profundamente que você é um gênio lingüístico”

Alexander Arguelles, cerca de 20 línguas

Arguelles se recusa a dizer o número exato. “Se alguém te dizer quantas línguas fala, não acredite nele”, diz Alexander, que estudou mais de 60 línguas e dedica 9 horas por dia ao estudo delas. 20 é o número daquelas em que ele tem competência de leitura em nível nativo.

Johan Vanderwalle, 22 línguas

Em 1987 Vanderwalle venceu o concurso ‘Polyglot of Flanders’, onde foi testado em 22 línguas (embora tenha estudado mais que isso). O concurso exigia 10 minutos de conversação com um falante nativo, com 5 minutos de pausa entre uma e outra.

Ken Hale, 50 línguas

O famoso lingüista do MIT (Massachusetts Institute of Technology) diz poder ‘falar’ (dominar) apenas 3 línguas (inglês, espanhol e warlpiri, uma língua aborígene da Austrália), e somente conversar em outras. Ele considera que a habilidade de falar uma língua inclui conhecer todas as suas implicações culturais, ou seja, vai muito além de gramática e vocabulário. Ken não gosta que as pessoas perpetuem o que chama de ‘mito’ de suas habilidades lingüísticas, embora alguns amigos tenham o observado fazendo coisas impressionantes, como estudar uma gramática de finlandês em um avião e começar a falar o idioma facilmente no desembarque.

Emil Krebs, de 32 a 68 línguas

O número depende de quem conta, Diplomata alemão que trabalhou na China, Krebs tinha tamanho talento para línguas que após sua morte seu cérebro foi preservado para estudos científicos.

Cardeal Giuseppe Mezzofanti, de 40 a 72 línguas

Um dos seus biógrafos relatou o seguinte: 14 dessas línguas ele estudou mas não usava, em 11 ele podia ter uma conversação, 9 não dominava mas tinha uma pronúncia perfeita, e em 30 era plenamente fluente (sendo essas de 11 famílias lingüísticas diferentes).

Proezas lingüísticas como as de Mezzofanti são tão impressionantes que podem parecer meras lendas. Mas para Erard é claro entre os hiperpoliglotas que com um certo talento natural, motivação e trabalho duro, feitos notáveis como esses podem ser alcançados. Psicolingüísticas dizem que não há limite teórico para o número de línguas que alguém pode aprender, há somente uma limitação de tempo.

Mas a maioria dos hiperpoliglotas são relutantes em afirmar que falam (de fato) tantas línguas, mesmo tendo estudado muitas. Isso acontece porque eles têm uma definição mais refinada do que a maioria das pessoas do que significa ‘falar uma língua’, além da humildade que acompanha um especialista: quanto mais você sabe, mais você tem ciência do que não sabe.

Dentre os hiperpoliglotas, 15 parece ser o número médio de línguas que estão dispostos a testar neles mesmos. Ainda assim, o conhecimento em 30 ou mais línguas com as quais dizem ter alguma familiaridade é provavelmente melhor do que tudo o que você aprendeu naquele curso de inglês que freqüenta há anos.

Traduzido e adaptado de: mental_floss: How Many Languages is it Possible to Know?

A língua mais econômica do mundo

Piraha - A Language without numbers? by Smithsonian ChannelA língua Pirahã, falada por cerca de 250 índios da tribo de mesmo nome no Amazonas, é forte candidata ao posto de língua mais econômica do mundo.

De acordo com investigações do lingüista estadunidense Daniel Everett, que estuda a língua Pirahã desde 1977, não há nela palavras que definam cores, apenas uma diferenciação aproximada entre claro e escuro. Além disso, a língua não tem flexões para passado e futuro, apenas presente, além de não possuir números. Especialistas sugerem que Pirahã talvez seja a única língua conhecida sem sistema numérico. E porque não há números? Por que não precisam. Apenas se referem a quantidades como ‘pouco’, ‘alguns’ ou ‘muitos’.

Mesmo não possuindo sistema de escrita nem alfabeto, foi identificado ainda o possível sistema de fonemas da língua. Claro que também bastante econômico: apenas 3 vogais (A, I e O)* e seis consoantes: G, H, S, T, P e B*.

*sons correspondentes

 

Os nomes do mundo

Endonyms of the WorldVocê sabe o que é endônimo? Nada mais é do que o nome de um lugar (país, cidade, região, etc) grafado de acordo com a língua local. Esse nome geralmente é designado pelo governo local ou simplesmente acaba ficando pelo seu amplo uso dentre os moradores.

O site Endonym Map resolveu coletar os endônimos de todos os países do mundo em um único mapa. Os nomes mostrados estão nas línguas oficiais ou nacionais, conforme são conhecidos pelos habitantes locais.

Confira alguns mapas: