A língua mais econômica do mundo

Piraha - A Language without numbers? by Smithsonian ChannelA língua Pirahã, falada por cerca de 250 índios da tribo de mesmo nome no Amazonas, é forte candidata ao posto de língua mais econômica do mundo.

De acordo com investigações do lingüista estadunidense Daniel Everett, que estuda a língua Pirahã desde 1977, não há nela palavras que definam cores, apenas uma diferenciação aproximada entre claro e escuro. Além disso, a língua não tem flexões para passado e futuro, apenas presente, além de não possuir números. Especialistas sugerem que Pirahã talvez seja a única língua conhecida sem sistema numérico. E porque não há números? Por que não precisam. Apenas se referem a quantidades como ‘pouco’, ‘alguns’ ou ‘muitos’.

Mesmo não possuindo sistema de escrita nem alfabeto, foi identificado ainda o possível sistema de fonemas da língua. Claro que também bastante econômico: apenas 3 vogais (A, I e O)* e seis consoantes: G, H, S, T, P e B*.

*sons correspondentes

 

Palavras intraduzíveis de outras culturas

Sim, elas existem, pois ao contrário do que tentam insistir alguns professores e dicionários, não é possível encontrar tradução (palavra correspondente) de algumas palavras extraídas de diversas línguas, Muitas vezes o máximo que conseguimos é explicar seu sentido com uma frase ou conceito. E foi isso que o blog Maptia fez, na tentativa de criar “o mapa mais inspirador do mundo”.

A relação entre as palavras e seus significados é fascinante, e tem se tentado há décadas desconstruir isso, simplificando e reduzindo isso a vocábulos, sendo que há um mundo de idéias e sentimentos por trás de cada palavra, e que são possíveis de expressar em uma palavra somente em uma determinada língua”, explica Ella Frances Sanders, responsável pelo blog.

Vale lembrar que, como já mostramos aqui, nenhuma palavra pode ser considerada de fato intraduzível. As palavras abaixo apenas não tem palavras correspondentes em outras línguas, ou na maioria delas, o que as particulariza em uma determinada língua ou cultura.

Clique nas imagens abaixo:

Jornalista lança Dicionário do Nordeste

Bahia, Brasil 2004 by Ametxa on FlickrDicionário do Nordeste, do jornalista pernambucano radicado em São Paulo, Fred Navarro, é fruto de vinte e um anos de minuciosa pesquisa.

A obra reúne em suas 711 páginas mais de dez mil verbetes e expressões usadas em todos os estados da região e nasceu da necessidade de “traduzir” para os colegas certos termos normalmente empregados por ele em seu dia a dia nas redações paulistanas. Expressões como “fastiosa” (que quer dizer “sem fome”), “falando mais que o homem da cobra” (“falando muito”), “menina buchuda” (“mulher grávida”) aparecem no dicionário. 

O livro tem prefácio do gramático Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras.

:: Lançamento
:: Dicionário do Nordeste

Dicionário do Nordeste -  Fred NavarroDimensão:  16 x 22cm

Autor: Fred Navarro

ISBN: 978-85-7858-047-6

Nº de Páginas:  716

Ano de edição: 2013

 

 

5 exemplos de como a língua que falamos afeta nossa forma de pensar

China by Dainis Matisons on FlickrFalar uma língua não consiste em apenas saber vocabulário, regras gramaticais e afins. Línguas refletem visões de mundo, e como seus povos se expressam e se relacionam com o mundo em que vivem é um sinal claro de que a língua molda nossa forma de pensar. Abaixo você verá alguns exemplos da relação existente entre línguas e comportamento, assunto que está se tornando alvo de um número cada vez maior de pesquisas: 

Navegação e Pormpuraawans 

Em Pormpuraaw, uma comunidade aborígene da Austrália, não há referência de um objeto como à esquerda ou à direita, mas sim como a nordeste ou a sudoeste, por exemplo. É o que revela a professora de psicologia Lera Boroditsky, da Stanford University, em estudo publicado no The Wall Street Journal. Mais de um terço das línguas conhecidas abordam o espaço em termos absolutos, como a língua aborígene, e não em termos relativos, como o inglês, português e a maioria das línguas ocidentais mais faladas. Como resultado, os falantes de tais línguas acabam desenvolvendo grande habilidade em se orientar e manter uma trajetória, mesmo estando em um lugar que não conheçam.

Durante a viagem para sua pesquisa na Austrália, a professora descobriu também que a comunidade de Pormpuraaw, que fala Kuuk Thaayorre, não apenas sabia instintivamente em qual direção estavam, mas também organizavam suas pinturas em uma progressão temporal de leste a oeste.

A culpa e os falantes de inglês 

No mesmo artigo, Boroditsky nota que falantes de inglês tendem a dizer que alguém quebrou um vaso, mesmo que tenha sido um acidente. Enquanto isso, falantes de espanhol e japonês tendem a dizer simplesmente que o vaso quebrou. Assim o inglês estaria dependente de um culpado para a ação, mesmo que ela não tenha um.

Em outro estudo, falantes de inglês eram muito mais propensos a lembrar quem estourou balões, quebrou os ovos ou derramou os drinks (com cenas mostradas a voluntários em vídeo) do que falantes de espanhol ou japonês. Segundo Boroditsky, há uma correlação no inglês entre o foco no agente e o sentimento de justiça com vista a punir transgressores, em lugar de restituir as vítimas.

As cores que cada um vê

Nossa habilidade em distinguir cores segue a forma como as descrevemos. Um estudo de 1954 mostra que falantes de Zuñi (uma língua indígena norte-americana), não distinguem laranja de amarelo, tendo dificuldade em falar delas separadamente. Já os índios Barasana, que vivem na Amazônia, não diferem as cores azul e verde, pois para eles a cor do céu é igualada à cor da floresta, dos quais dependem.

Gênero em finlandês e hebraico

Em hebraico os marcadores de gênero estão por todo lugar, enquanto o finlandês não marca gênero em muitos casos. Um estudo de 1980 mostrou que o pensamento desses povos também é influenciado pela construção de suas línguas: crianças que falavam hebraico conheciam seu próprio gênero um ano antes que crianças falantes de finlandês.

Excesso de informação

O economista e pesquisador Keith Chen, chinês que vive nos Estados Unidos, observou quanta informação sua língua nativa carrega. Por exemplo, para dizer “Este é meu tio”, em chinês, você tem de especificar de qual tio está falando. O logograma (caracter chinês) que represente a palavra ‘tio’ também deve indicar se é por parte de pai ou de mãe, se é seu tio por casamento ou de nascimento, e caso seja irmão do seu pai, se é mais velho ou mais novo que ele.